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As origens e o Prof. Mouhammad Yunus
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A prática da concessão de crédito,
material ou financeiro, a pessoas que, na sequência de circunstâncias diversas,
se encontram em situação de dificuldade é antiga. Concretiza uma convicção
profunda em todos os seres humanos de que as pessoas “sérias”, mesmo quando se
encontram em situação de carência devem ser merecedoras de crédito.
Pouco a pouco foi-se generalizando a ideia
de que os pobres, excluídos ou em situação de carência não são pessoas sérias,
não são capazes de assumir compromissos e, por isso, não são merecedoras de
crédito.
A demonstração de que este pressuposto é
errado foi feita no princípio dos anos 70, no Bangladesh pelo, hoje, Prémio
Nobel da Paz, Prof. Mouhammad Yunus. Com, apenas, 27 dólares, que emprestou a 42
famílias provou que:
- Não era preciso muito dinheiro para fazer as pessoas ter
uma vida autónoma, em relação a especuladores que atrofiavam as suas vidas;
- Os pobres, melhor que quaisquer outros clientes de
crédito, são capazes de assumir a totalidade dos seus compromissos,
independentemente de não terem capacidade para prestar garantias;
- Possibilitar que os mais desfavorecidos possam ser
construtores do seu próprio destino, para além de ser o melhor caminho para
ter uma vida melhor é, também, um contributo indispensável para um
desenvolvimento sustentável e para a construção de uma paz duradoura.
O Grameen Bank (http://www.grameen-info.org/),
o banco dos pobres, fundado por Mouhammad Yunus, já conseguiu dar resposta às
necessidades de crédito de mais de 7 milhões de microempreendedores, o que
permitiu melhorar as vidas de várias dezenas de milhões de pobres e
desfavorecidos do Bangladesh, em termos de nível de vida, de condições
sanitárias, de nível de educação, etc.
Desde os primeiros passos, até hoje, a
difusão da prática do microcrédito, através do mundo, é um fenómeno de sucesso,
que não é susceptível de comparação com muitos outros. Estendeu-se, muito
rapidamente, a outros países do terceiro mundo mas, para surpresa de muitos, não
foram precisos muitos anos para vir a ser reconhecido como instrumento de
promoção económica e social imprescindível, também, nos países desenvolvidos.
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